Deseja estar no topo de uma grande montanha, contemplando o magnífico mar de nuvens e as cordilheiras ao redor, mas sente-se inexplicavelmente nervoso ao ouvir falar em “mal de altitude”?
O que é exatamente o mal de altitude? Tem a ver com a condição física?
Muitos acreditam que ter uma boa condição física e hábitos de exercício regular previne o mal de altitude.
O mal de altitude não tem absolutamente nada a ver com o quão boa é a sua condição física.
Um maratonista não se adaptará necessariamente melhor à altitude do que uma pessoa comum, porque a causa do mal de altitude é o ar rarefeito e a diminuição da pressão parcial de oxigênio, não a resistência muscular.
Quando subimos acima de 2500 metros, a pressão atmosférica diminui, fazendo com que as moléculas de oxigênio no ar fiquem dispersas.
Tomando os 3000 metros de altitude como exemplo, o conteúdo de oxigênio no topo é de apenas cerca de 70% do nível do mar.
Se a velocidade de ascensão for rápida demais, a função cardiopulmonar e o sistema sanguíneo não terão tempo de se adaptar a essa repentina hipóxia (falta de oxigênio), e os órgãos do corpo começarão a protestar.
Isso é o mal de altitude (doenças da altitude).
Três classificações do mal de altitude
Com base na gravidade e nos órgãos afetados, o mal de altitude é classificado em três tipos:
| Tipo | Inglês | Sintomas principais | Nível de perigo |
|---|---|---|---|
| Mal Agudo de Montanha (MAM) | Acute Mountain Sickness | Dor de cabeça, acompanhada de náuseas, tontura, insônia, fraqueza | O mais comum, resolve-se sozinho na maioria das pessoas |
| Edema Cerebral de Altitude (ECA) | High-Altitude Cerebral Edema | Marcha instável (ataxia), confusão, letargia, coma | Extremamente perigoso, pode ser fatal em 24 horas |
| Edema Pulmonar de Altitude (EPA) | High-Altitude Pulmonary Edema | Falta de ar mesmo em repouso, tosse seca, escarro espumoso rosado | A taxa de mortalidade mais alta, exige tratamento imediato |
O Mal Agudo de Montanha (MAM) é o tipo mais comum, surgindo geralmente entre 1 e 12 horas após chegar à altitude, sendo experimentado por cerca de 25% a 50% dos viajantes.
Para a maioria, os sintomas aliviam-se em 2 ou 3 dias depois que o corpo se adapta, mas se continuar a piorar, pode evoluir para um edema cerebral ou edema pulmonar potencialmente fatal.
A dor de cabeça é só um resfriado? Nunca pense assim na montanha
Os sintomas iniciais do mal de altitude são muito parecidos com os de muitas condições comuns:
| Erro comum de julgamento | Sintomas reais do mal de altitude |
|---|---|
| Pensar que é um resfriado | Dor de cabeça, fadiga geral, náuseas |
| Pensar que é uma ressaca | Dor de cabeça latejante, insônia, perda de apetito |
| Pensar que é enjoo de viagem | Tonturas, vômitos |
| Pensar que é cansaço excessivo | Fraqueza, diminuição do rendimento físico |
Na montanha, a menos que se prove o contrário, qualquer dor de cabeça deve ser tratada primeiro como mal de altitude.
Muitos acidentes de montanhismo estão relacionados ao mal de altitude. Porque o edema cerebral de altitude provoca instabilidade ao caminhar e quedas no vazio, e a fraqueza do mal agudo de montanha faz com que as pessoas se movam devagar, não cheguem a tempo ao acampamento e sofram hipotermia.
Nunca ignore os sintomas pensando que é “apenas um resfriado leve”, perdendo a melhor oportunidade para descer.
Quem é propenso ao mal de altitude? Quais são os grupos de alto risco?
Os principais fatores de risco do mal de altitude relacionam-se com a genética e a velocidade de ascensão:
| Fator de risco | Explicação |
|---|---|
| Ascensão rápida | O principal fator de risco, subir a mais de 2800 metros de altitude em um único dia |
| Historial de mal de altitude | Quem já o teve antes tem uma probabilidade maior de reincidência |
| Fisiologia genética individual | A velocidade de aclimatização natural a ambientes com pouco oxigênio varia em cada pessoa |
| Resfriado não curado | Subir a montanha com inflamação das vias respiratórias pode agravar diretamente o mal de altitude para edema pulmonar |
| Desvelo ou fadiga extrema | Disfunção do sistema nervoso autónomo, o corpo perde a capacidade de regular a falta de oxigênio |
Os seguintes grupos não devem viajar para áreas acima de 2500 metros:
- Doentes com
angina de peitoinstável - Doentes com
hipertensão pulmonar - Doentes com
doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC/COPD)grave - Doentes com
anemia falciforme
Não ter tido nada da última vez não significa que esta vez estará bem.
A adaptabilidade à altitude não é sempre a mesma em cada ocasião para um indivíduo; resfriados e desvelo podem reduzir a sua adaptabilidade a zero.
Como prevenir o mal de altitude? A "Regla 2500+300" e "Subir alto, dormir baixo"
A prevenção é a chave. Suba lentamente para permitir que o corpo se adapte.
Guia de velocidade essencial
| Regra | Explicação |
|---|---|
| Controle de altitude na primeira noite | No primeiro dia a grande altitude, mantenha a altitude para dormir abaixo de 2500 a 2800 metros na medida do possível |
| Controle diário de altitude ao dormir | Acima de 3000 metros, o aumento líquido da altitude de sono não deve superar os 300 a 500 metros por noite |
| Descanso obrigatório a cada 3 dias | Após subir a altitude de sono 1000 metros acumulados, fique mais uma noite no mesmo local para se adaptar |
Subir alto, dormir baixo (Climb High, Sleep Low)
Durante o dia pode subir mais alto para estimular os mecanismos de resposta do corpo, mas à noite deve descer para dormir a uma altitude menor, permitindo que o corpo recupere num ambiente com maior concentração de oxigênio.
A regra de ouro do montanhismo: "Subir alto, dormir baixo".
Lista de preparação antes da viagem
| Preparativos | Explicação |
|---|---|
| Clínica do viajante | Consulta médica antes de partir para avaliar a necessidade de medicação preventiva (como acetazolamida) |
| Aclimatização prévia | Nos 30 dias anteriores à partida, permaneça em zonas superiores a 2750 metros durante 2 ou mais dias |
| Vestuário em camadas | Camada interna respirável, camada média térmica e camada externa corta-vento e impermeável |
| Dieta rica em carboidratos | Os carboidratos consomem menos oxigênio do que as gorduras; reponha açúcares a qualquer momento durante a marcha |
| Evitar álcool e tabaco | O álcool e os sedativos inibem o centro respiratório, agravando a falta de oxigênio |
Precauções gerais a grande altitude
A grande altitude, além de controlar a velocidade de subida, o comportamento diário também precisa de ser ajustado:
| Controle de comportamento | Explicação |
|---|---|
| Reduzir atividades extenuantes | O exercício intenso acelera o consumo de oxigênio no sangue; diminua o passo e estabilize a respiração |
| Manter o corpo aquecido | O frio aumenta a pressão arterial pulmonar; use o sistema de camadas, vista-se ao sentir frio e desvista-se ao sentir calor |
| Dieta rica em carboidratos | Os carboidratos consomem menos oxigênio do que as gorduras; reponha açúcares a qualquer momento durante a marcha |
| Evitar alimentos flatulentos | Leguminosas e bebidas com gás expandem-se no trato gastrointestinal sob a baixa pressão da altitude, causando desconforto que afeta a respiração e o apetite |
| Hidratação constante | O ar da altitude é seco e respirar rápido desidrata; beba água em pequenas quantidades mas frequentemente |
| Vigiar-se a si mesmo e aos companheiros | O estado físico na altitude muda repentinamente; não se sobrecarregue e descanse ou desça ao menor malestar |
O que fazer se o mal de altitude ocorrer? "Descer, descer e descer"
Diminuir a altitude é a forma mais eficaz e o único tratamento real para o mal de altitude.
| Gravidade | Sintomas | Tratamento |
|---|---|---|
| Leve | Dor de cabeça, náuseas | Parar a subida, descansar e observar na mesma altitude; podem ser tomados analgésicos |
| Moderada | Vómitos, dor de cabeça mais severa | Se não melhorar após 24 horas de repouso, descer imediatamente |
| Grave | Ataxia (marcha instável), dispneia em repouso | Descer imediatamente pelo menos de 500 a 1000 metros, administrando oxigênio ao mesmo tempo |
Os medicamentos, as garrafas de oxigênio e as câmaras hiperbáricas portáteis (PAC) são apenas ferramentas para “ganhar tempo” que mantêm o paciente estável até que possa descer em segurança.
Nunca continue a subir apenas porque os sintomas melhoraram temporariamente após tomar medicação ou inalar oxigênio.
Quando sentir indisposição em altitude, deve lembrar-se da fórmula dos “3D”:
Down, Down and Down (Descer, descer e descer).
Nunca deixe sozinha uma pessoa com mal de altitude; ela deve ser acompanhada na sua descida por pelo menos um companheiro que conheça a rota e tenha conhecimentos médicos básicos.
A montanha sempre estará lá.
Prepare-se bem, não se apresse, ouça o seu corpo e todos poderão desfrutar em segurança da beleza das grandes altitudes.